“Nada de artesanal”: avenidas e bifurcações na busca de Carlos R. Mello pelo modelo ideal
Era fim de 2016, havia grande expectativa na retomada da economia após longo período recessivo. Escritórios de vocação transacional que haviam se desenvolvido em ritmo acelerado nas últimas duas décadas não só esfregavam as mãos à espera de um novo boom. Muitos deles buscavam agressivamente posicionar-se na liderança do pelotão. Havia um objetivo. Ser ou estrar entre os maiores: ter mais advogados, mais operações, mais reconhecimento.
Carlos Rolim Mello, no entanto, tinha outros planos. Com prática lapidada na escola Machado Meyer, mesma de muitas das lideranças que marcaram e ainda marcam o mercado jurídico brasileiro, e munido de extenso portfólio de envolvimento em grandes operações, pensava que poderia desprender-se da corrida. Tinha espírito empreendedor e há tempos pensava em formar seu próprio escritório. Estava convicto de que poderia fazer melhor em uma estrutura concisa, despojada dos custos e das burocracias dos grandes. Equipou-se de termos como direito artesanal e boutique e, enfim, partiu em voo solo.
“Quando eu fiz o movimento de sair do escritório, eu imaginava, sim, que era possível trabalhar em menor escala, com menos pessoas, e continuar a fazer as mesmas coisas que a gente fazia lá. E eu continuo acreditando nisso, mas não é artesanal. Não tem nada de artesanal, nem de boutique, no que a gente faz”, reflete nove anos e alguns aprendizados e reformulações importantes depois. Na verdade, Mello descobriu cedo que direito artesanal requer um grau de especialização nichada que não fazia parte daquilo que se dispunha a ofertar. Mais importante: para trabalhar em grandes operações, precisava, sim, de porte, estrutura e certo grau de especializações variadas, o que veio a identificar como multidisciplinaridade.
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